segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Noite estranha

Esta que era para ser mais uma noite comum, como todas as outras, mudou, após ouvir barulhos vindos do lado de fora de minha casa. Mais precisamente dos dois cômodos que compõem o imenso quintal, um deles é utilizado para as minhas cachorras comerem e beberem água, e fica aberto o tempo todo, enquanto o outro que serve como depósito para guardar coisas de pouca valia, permanece trancado constantemente.
Já era quase duas horas da manhã quando os barulhos começaram. No primeiro momento em que os ouvi não dei muita importância, mas sua permanência passou a incomodar. Então resolvi me levantar para ver o que estava ocorrendo no quintal.
Ouvindo os ruídos comecei a ficar com medo, minhas pernas começaram a tremer, não sabia o que fazer, pensei em chamar a policia, em gritar, embora não tinha certeza do que poderia ser. Pensei que poderia ser um gato que estava passeando pelo quintal, embora o barulho fosse um pouco estrondoso para vir de um animalzinho de pequeno porte.
Encostei-me na porta da cozinha e fiquei a ouvir os ruídos. Quanto mais eu ouvia, mas minhas pernas tremiam, não conseguia controla-lás, o medo havia tomado conta de mim.
Estava eu ali encostado a mais de meia hora, de repente ouvi uma voz. O que deixou-me ainda mais amedrontado, e para piorar ouvi outra voz. Então pensei são duas pessoas. Será que estão roubando algo ou planejando algum roubo.
Estava em uma situação complicada, embora pudesse chamar a policia para resolver o problema, optei por aguardar mais um pouco, para observar qual seria os passos seguintes da suposta dupla. No adiantado da noite já se aproximava de três da manhã, quando ouvi as vozes novamente. Calei-me, tentei controlar minhas pernas para tentar ouvir o que ambos falavam do lado de fora de minha casa, mas não consegui entender.
Reparei que o barulho vinha do quartinho onde as cachorras se alimentavam, então pensei: Mas o que eles podem querer nesse quartinho? Pois aí não tem nada de valor, apenas ração e um velho balcão de bar onde coloco algumas tranqueiras que teimo em guardar por ter dó de desfazer.
O silêncio tomou conta do quintal novamente, não conseguia entender aquilo, onde estavam minhas cachorras, pois tenho duas e não ouço nenhuma manifestação por parte delas, será que elas não viram essas pessoas entrarem em minha casa, ou melhor, em meu quintal?
Não conseguia imaginar o que havia ocorrido com elas, mas já tinha absoluta certeza de que existia duas pessoas no meu quintal que estavam em silêncio a mais de vinte minutos. O que será que eles estão planejando? Pois se estivessem procurando algo para roubar fariam barulhos. Após um bom tempo de silêncio, ouvi novamente ruídos vindos do cômodo em que eles estavam. Depois ouvi eles arrastarem uma coisa, pensei será que estão preparando algo para roubar? E em seguida o silêncio reinou novamente.
Neste instante minhas pernas desencorajadas não hesitaram em tremer ainda mais. Ouvi novamente ruídos, agora pensei que deveria ligar para policia. E foi o que fiz, falei em voz bem baixa para que eles não me ouvissem, e os policias disseram que logo viriam.
Passou dez minutos, quinze e nada. Comecei a ouvir um sussurro vindo do cômodo em que eles estavam. Pensei:
_Que estranho o que será isso?
Não conseguia entender o que eles estavam fazendo, logo em seguida começaram alguns gemidos que viam do mesmo lugar, pensei comigo: eles não podem estar fazendo isso, não no quintal da minha casa.
Aguardei mais dez minutos e a policia não chegou, os gemidos e sussurros foram aumentando. Encorajei-me, rodei a chave da porta da cozinha com muito cuidado para não fazer barulho, abri a porta também com muita sutileza, afinal queria surpreender as pessoas que estavam no cômodo das minhas cachorras.
Quando sai e cheguei ao cômodo onde minhas cachorras tomavam água e comiam ração, tive uma grande surpresa, um casal de namorados fazendo sexo no local. Então gritei:
_Que pouca vergonha é essa?
O casal respondeu:
_Moço nos desculpe, pensamos que não havia moradores nessa casa.
Então respondi:
_Se enganaram, tem sim e isso é uma invasão de privacidade, agora é mais de três da manhã e desde as duas que estou acordado encostado na porta da cozinha tentando entender o que acontecia no fundo de casa.
Novamente o casal se desculpou e disse:
_Estamos indo embora e prometo que isso não irá, mas se repetir. Então eu disse:
_É bom vocês andarem logo, porque eu chamei a policia e se eles não estivessem demorando tanto, eram eles que flagrariam vocês aqui.
O casal após vestir suas roupas com um sorriso envergonhado disse-me:
_Desculpas novamente e se retiraram de meu quintal.
Após uns quarenta minutos da saída do casal do meu quintal ouvi palmas em meu portão, era a policia. Novamente interrompendo meu sono, os policias perguntaram:
_Você nos chamou?
Disse: sim. Mas já resolvi, enquanto esperava vocês, ouvi alguns gemidos e sussurros no meu quintal e sai para ver o que estava acontecendo, era apenas um casal que escolheu minha casa erradamente para transar. Então os mandei embora. Mas fico grato por terem vindo.
Eles responderam: ok, se você já resolveu tudo bem, mas deveria ter esperado, pois é perigoso. Mas precisando pode nos ligar, atendemos com muito gosto e nos desculpe pela demora.

Observação: este conto foi vencedor ficando em 5° Lugar no XXXII Concurso Internacional Literário

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